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  • Tênis na Mala

Um registro na Jordânia que valeu por uma viagem inteira

Atualizado: 11 de Jul de 2019

Viagens não são feitas só de passeios em locais turísticos e fotos estilo selfie. Elas também são feitas de momentos únicos que acontecem, muitas vezes por acaso, na busca por viver experiências completamente diferentes do que você está acostumado.


Sou do tipo de pessoa que, ao viajar, procura "viver" o local para ter a oportunidade de permitir que esses grandes momentos aconteçam. Na viagem que fiz a Israel e Jordânia, em março de 2018, motivada pela Maratona de Jerusalém, tive a oportunidade de viver um desses "momentos únicos" e que, para mim, valeu por toda a viagem.


Após uma manhã inteira de viagem saindo de Israel, finalmente chegamos à Jordânia e fomos recepcionados por um guia que ficaria conosco por dois dias para conhecermos alguns lugares desse país, inclusive Petra, cidade arqueológica, cenário de um dos filmes de Indiana Jones.





Enquanto o nosso ônibus, com turistas do mundo todo, passava entre curvas acentuadas, cenários desérticos, tendas beduínas, pastores e ovelhas e transeuntes vestidos conforme os costumes locais, o guia nos explicava sobre o povo jordaniano, o contexto histórico e bíblico daquele lugar, a cultura local, entre outras informações que nos abasteciam de conhecimento sobre o que vivenciaríamos durante a viagem.



Depois de algumas horas, chegamos a um sítio arqueológico em Jerash, uma cidade de mais de três mil anos de história, localizada ao norte da Jordânia. Com minha câmera na mão, descemos do ônibus e seguimos em direção ao local onde o guia apontava que deveríamos ir para conhecermos a atração turística.


Já na descida do ônibus, fomos abordados por alunos jordanianos em uma excursão, que passaram pelo nosso grupo falando alto em nossa direção: “- Welcome to Jordan”. Sorrimos de volta pela receptividade e seguimos então em busca do nosso guia que ia mais apressadamente na frente, em direção ao sítio arqueológico. Durante o caminho, acabei me distraindo, fotografando a entrada do lugar, e fiquei para trás do grupo principal com o meu marido e um amigo nova-iorquino que fizemos no ônibus.


Andando em busca do guia, vimos um grupo de meninas jordanianas com roupas escolares vindo em nossa direção. Nisso, uma delas olhou para mim e falou, apontando para as outras: “- She is beautiful”. Pelo comentário e olhares que trocamos, senti a liberdade de pedir a elas para fazer uma foto do grupo. Elas aceitaram com satisfação e se arrumaram rapidamente, fazendo uma pose simples e tímida, que resultou em uma das melhores fotos da viagem.


Após o registro da imagem, agradeci e logo me veio uma surpresa: elas se aproximaram de mim e pediram para que eu pudesse tirar fotos com elas. Ajeitamo-nos e fizemos algumas “selfies”, comunicando-nos unicamente por gestos, e, após a sessão de fotos, despedimo-nos.

Saí desse momento em êxtase total por ter tido um contato tão próximo com elas e de uma forma tão espontânea!


Já bem após o episódio, dentro do ônibus a caminho do acampamento onde passaríamos a noite, meu marido me revelou que durante o momento das minhas fotos com elas, ele fez uma foto. Fiquei emocionada ao ver que ele conseguiu captar exatamente a minha felicidade em estar com aquelas meninas, a felicidade delas em participar daquele momento e a nossa tentativa de comunicação.


O registro que fiz com a minha máquina fotográfica e a foto que meu marido tirou com o seu telefone de mim com elas, mostram o momento que valeu e MUITO por toda a viagem, comprovando a minha teoria que viagens não são feitas só de passeios a lugares turísticos, mas sim também de momentos como esse: de trocas, comunicações verbais ou não verbais e um pouco do relacionamento entre culturas.


Por: Bruna Lopes

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