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  • Tênis na Mala

Não corro mais maratonas... #sqn

Atualizado: 20 de Jun de 2019




Toda maratona acrescenta ao currículo do corredor uma história especial. E com a minha 5ª maratona não foi diferente! Dessa vez, ao invés de ter como objetivo somente completar a prova, decidi me superar bastante no tempo total de prova: correr abaixo de 4 horas.

Para o feito, a cidade de Lima foi escolhida estrategicamente: ruas relativamente planas e clima ameno, cenários excelentes para uma boa corrida.


A largada ao som de AC/DC deu o tom certo para começar a movimentar as engrenagens do corpo. A prova começou e a leve inclinação negativa das ruas nos primeiros quilômetros e a motivação de todo início de prova, me permitiram ir bem até próximo dos 27 km. Consegui segurar um pace aproximado de 5:20, sem paradas longas para hidratação e suplementação. Algo muito além do que vinha treinando.

Após os 27 km, o sol abriu, a temperatura corporal começou a subir, o corpo sentiu o esforço aumentando... então, “quebrei”. Comecei a andar no quilometro 28 para tentar recuperar as energias. Sem forças e completamente exausta, vi o pacer de 4 horas passar por mim. Com ele, o sonho de ser sub-4 foi levado junto com o pelotão que o acompanhava.


Após uma novela rodar na minha cabeça, capítulo por capítulo, entre trotes e caminhadas nos quilômetros seguintes, vi uma força brotar quando olhei o relógio e percebi que ainda dava tempo de bater a tal meta. Pelo esforço feito até os 27km, era só segurar um pace de 5:40 que dava para voltar a sonhar.


Voltei a correr muito bem, com uma postura boa, com atenção a passada e a respiração, mas o "monstro" me pegou novamente nos 38 km. Não daria pra driblar a fadiga muscular naquele momento. Então me vi na linha de chegada, terminando a prova em 4h09min.

9 minutos difíceis de engolir até hoje.


Cheguei aos prantos, jurando pra mim mesma que não faria mais maratonas. É desumano demais suportar 42km... Peguei a medalha e saí do local da prova completamente exausta pelo esforço e desidratada.

Mais tarde, depois de um bom banho e um bom almoço, já descansada, fiquei analisando o resultado registrado pelo meu relógio Polar no aplicativo Strava. Fiquei refletindo sobre o quanto fui muito bem nos primeiros quilômetros, batendo vários dos meus RP’s (Recorde Pessoal) e pensando quais poderiam ter sido os motivos de quebrar durante a prova. Encontrei vários, alguns injustificáveis, mas apenas uma conclusão, uma única e inacreditável para quem tinha acabado de jurar há horas atrás que não correria mais maratonas: eu precisava planejar outra maratona para não repetir os erros dessa e, consequentemente, bater a minha meta não cumprida. Fui dormir com o celular na mão, buscando outras provas pelo mundo tão favoráveis quanto a de Lima.


Tenho 6 anos como corredora no currículo e talvez só agora comecei a entender de verdade a “brincadeira”! Como correr Maratonas envolve muito mais que sair correndo e tomar um gel aqui e acolá. E entender também por que existem tantos loucos por aí atrás de desafios que se faz colocando um par de tênis.


Com o tempo, a gente cresce na corrida (e acredite: 6 anos não são NADA perto do que já vi de corredores por aí) e consequentemente nas reflexões sobre ela...


...as vezes a gente esquece que a evolução vem das inúmeras tentativas de se chegar lá, das inúmeras conversas com os amigos, leituras e consultas com especialistas.


.. que essa evolução pode sim ser lenta. Há 6 anos que corro e há 6 meses que penso em performance. Tenho muito chão pra percorrer ainda e boas perspectivas de outras oportunidades para superar meus tempos, independente de quão loucas as metas sejam.


...que o sofrimento de corridas longas nos dá resistência e resiliência, nos treinando psicologicamente para outros desafios na vida. A dor pode ser vida em muitos casos e incluo a persistência dos 42 km sendo levados para a vida pessoal e profissional.


Concluo que nada é melhor que o planejamento de uma maratona após a outra, assim como um treino após o outro, para ganhar um novo fôlego, uma nova meta e se superar na vida!


Será que não corro mais maratonas? rs


Por Bruna Lopes


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