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  • Tênis na Mala

A corrida onde o sol não se põe

A primeira vez que ouvi falar da corrida do Sol da Meia Noite foi através de conversa com meus colegas do grupo de corrida, que mencionaram sobre essa corrida que ocorre anualmente no mês de junho em Tromso, Noruega.


Posteriormente, com o auxílio das pesquisas na internet, descobri que a cidade de Tromso é uma cidade que localiza-se a 350km norte do círculo Ártico (38N|018º.56’E), famosa pelo fenômeno das Auroras Boreais que acontecem no inverno. Já no verão, ocorre o também famoso fenômeno do Sol da Meia Noite, onde há luz solar por 24 horas no período do solstício do verão. Por esse motivo, o nome da corrida. Nesse instante imaginei: Correr em um lugar onde o sol não se põe deve ser sensacional!


Mas, além do condicionamento físico para participar de uma meia maratona ou maratona, há um outro desafio: os custos da viagem. A Noruega é um país que não possui voos diretos do Brasil, e para chegar em Tromso há uma escala em Oslo, capital da Noruega. Durante muito tempo cogitei participar dessa corrida, mas parecia apenas uma vontade meio distante.


Tal oportunidade surgiu no final de 2017 quando mudei de Belo Horizonte para Frankfurt na Alemanha, onde ficaria 1 ano. Uma das primeiras coisas que fiz foi pesquisar sobre a corrida, vi que ela atrai milhares de pessoas todos os anos, e sem pensar se a viagem seria viável, reservei um quarto no hotel Comfort Hotel Xpress Tromso. Tinha um quarto reservado, antes mesmo das inscrições da corrida começarem. E essa foi uma das melhores idéias que tive, pois o hotel fica a 500m da largada, e um preço bem camarada para os padrões da cidade. Além da cidade ser pequena, há poucas opções e os hotéis ficam lotados rapidamente.


A abertura das inscrições ocorre em meados de janeiro, eu optei pela meia-maratona, o preço foi de aproximadamente R$260,00 (NOK 475,00) e não há kits da corrida. Naquele momento, o sonho estava se concretizando, mas faltava um outro detalhe importante, voltar a treinar após recuperação de uma lesão séria e durante o inverno alemão. Durante vários dias, eu não sentia animo para treinar, e senti muita falta dos meus amigos de corrida do Brasil. Quem diz que corrida é um esporte solitário, com certeza está mentindo. Mas, ao longo dos meses os treinos foram acontecendo, a temperatura foi aumentando e os treinos fluíram.


Até que chegou o tão final de semana esperado da corrida. Como eu já morava em Frankfurt, comprei uma passagem da Norwegian Air (voo Frankfurt-Oslo-Tromso). Duração da viagem: 5horas. Eu tinha apenas o final de semana da corrida livre, assim fui direto para Tromso, para quem tiver oportunidade, sugiro visitar Oslo. Chegando na cidade, fui direto explora-la e subir a montanha com o teleférico (Fjellheisen- do inglês: Table Car) para aguardar o tão esperado Sol da Meia-Noite. O visual é um dos mais lindos que já vi na minha vida! A ideia era ficar no topo da montanha até o 12:00 am, mas não foi possível por causa do vento que estava muito intenso e por questões de segurança, eles retiram todas as pessoas do topo da montanha. Mesmo assim, estava na região mais alta da cidade avistei o Sol à meia noite próximo à Catedral de Tromso. A sensação mais estranha é que não tem noite e nosso relógio biológico fica meio perdido, porque não senti sono apesar do horário.


No dia propriamente da corrida choveu, e fez muito muito frio. A corrida acontece no verão, mas não espere uma temperatura quente, a média na cidade no mês de junho é em torno de 6-10 graus. A largada da meia-maratona ocorre 22h:30min, enquanto da maratona às 20h:30 min. Uma das grandes dificuldades é que parte da corrida acontece em umas regiões mais bonitas da cidade, mas também desafiadora, próximo ao mar e na região próximo ao aeroporto. O visual é deslumbrante, mas o vento pode te levar. Após 16km as dores nas costas e o frio começaram a apertar, senti que a partir daquele momento, seria muito difícil continuar. Naquele momento comecei a pensar, essa é sua primeira corrida oficial, de longa distância pós-lesão, você está no Polo Norte, não se entregue....


E partir daí cheguei nos 19, 20, e a chegada aos 21km: 2h 12min, não foi o meu melhor tempo, porém uma das minhas grandes conquistas. E depois? Aquecer porque o frio estava forte, lembram que eu falei da localização do hotel? Esquentei rapidinho :)


Vista do topo da montanha às 23h30

Meia Maratonista again!


Por Dani Aguiar

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